A maior transformação regulatória e operacional da história do Brasil, a reforma tributária, está prevista para 1º de janeiro de 2027 e exigirá uma reestruturação profunda do seu negócio de e-commerce. Segundo Lucas Ribeiro, CEO da ROIT, no Fórum E-Commerce Brasil 2026, a mudança impactará milhões de empresas e exige ações urgentes ainda em 2026 para evitar paralisações e perdas.
Sua operação de e-commerce enfrentará a maior transformação regulatória e operacional da história do Brasil com a reforma tributária, prevista para 1º de janeiro de 2027. Essa mudança, que supera o impacto de marcos como o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) e a Nota Fiscal Eletrônica, exigirá uma reestruturação profunda em áreas como compras, precificação, logística e saúde financeira, conforme alertou Lucas Ribeiro, CEO e fundador da ROIT, no Fórum E-Commerce Brasil 2026.
O que a Reforma Tributária de 2027 muda para o e-commerce?
A reforma tributária, com início em 1º de janeiro de 2027, impactará cerca de 5 milhões de empresas do Lucro Real e Lucro Presumido, que passarão a operar sob o regime de não cumulatividade da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Além disso, aproximadamente 2 milhões de negócios do Simples Nacional devem migrar para um modelo híbrido já no segundo semestre de 2026, segundo o E-Commerce Brasil. Essa transição em massa promete alterar a formação de preços em toda a cadeia de suprimentos, trazendo riscos expressivos de inflação artificial (IA) e exigindo que você revise toda a sua estrutura de custos e vendas.
Como a precificação e os custos serão afetados?
A lógica de custo mudará substancialmente, deixando de focar em quem vende para focar em quem compra e na sua capacidade de tomar créditos. Segundo Lucas Ribeiro, os produtos carregam hoje três camadas de tributação: os impostos visíveis no documento fiscal (T1), os tributos antecipados na cadeia (T2) e os resíduos tributários invisíveis (T3), referentes a custos não recuperáveis como energia, logística e marketing. Para evitar o que chamou de “precificação inflacionária” — quando fornecedores mantêm o preço atual e simplesmente somam a nova alíquota do IVA —, você precisará exigir a limpeza preventiva desses tributos embutidos antes de aplicar o novo cálculo. Isso significa que a negociação com seus fornecedores será crucial para garantir que seus preços de venda não sejam inflacionados artificialmente.
Qual o impacto do Split Payment e do crédito tributário no seu capital de giro?
A reforma introduz uma das mudanças mais radicais na natureza do crédito tributário, que deixa de ser escritural (baseado na emissão da nota fiscal) e passa a ser financeiro. A tomada do crédito fica estritamente condicionada ao recolhimento efetivo do imposto pelo fornecedor. Isso significa que você só poderá tomar o crédito se o fornecedor realmente pagar o imposto. Mecanismos como o Split Payment (pagamento dividido), que vinculam diretamente o fluxo financeiro bancário às operações fiscais, aumentarão a exigência por capital de giro, pois o valor correspondente ao tributo será retido no momento exato do pagamento do documento fiscal, reduzindo sua liquidez imediata. Para mitigar os impactos, o CEO da ROIT recomenda a adoção da matriz de posições tributárias para organizar os pagamentos aos parceiros comerciais, priorizando cenários de equilíbrio onde o imposto é quitado no vencimento e o valor líquido repassado na data acordada.
O que o vendedor de marketplace deve fazer agora?
A preparação para 31 de dezembro de 2026 é crítica e exige que você trate a reforma tributária como uma prioridade estratégica interdisciplinar, unindo seus times jurídico, de compras e financeiro na revisão de contratos. Não espere por eventuais adiamentos ou dependa unicamente da atualização técnica dos sistemas ERP (Enterprise Resource Planning), pois Lucas Ribeiro alerta que “vai dar errado” e pode haver paralisação operacional em 1º de janeiro de 2027, com dificuldades para emitir notas e movimentar mercadorias. Aja ainda em 2026: chame seus maiores fornecedores e questione-os sobre como eles fizeram a limpeza de resíduos tributários para blindar seu capital de giro e garantir a competitividade dos seus preços.
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Fonte: E-Commerce Brasil
Perguntas Frequentes
Quando a reforma tributária entra em vigor e quem será afetado?
A reforma está prevista para 1º de janeiro de 2027. Ela afetará cerca de 5 milhões de empresas do Lucro Real e Lucro Presumido, que passarão para o regime de não cumulatividade de CBS e IBS. Além disso, aproximadamente 2 milhões de negócios do Simples Nacional devem migrar para um modelo híbrido no segundo semestre de 2026.
Como a reforma pode impactar a precificação dos meus produtos?
A reforma pode levar à “precificação inflacionária” se os fornecedores não “limparem” os impostos embutidos (T1, T2, T3) antes de aplicar a nova alíquota do IVA. Você precisará exigir essa limpeza para evitar que seus custos aumentem artificialmente e impactem seus preços de venda.
O que é o Split Payment e como ele afeta meu capital de giro?
O Split Payment é um mecanismo que vincula o fluxo financeiro bancário às operações fiscais, retendo o valor do tributo no momento do pagamento. Isso reduzirá sua liquidez imediata e aumentará a exigência por capital de giro, pois o crédito tributário passa a ser financeiro, condicionado ao recolhimento efetivo do imposto pelo fornecedor.
Quais são as ações mais urgentes para os vendedores de marketplace?
Você deve tratar a reforma como prioridade estratégica, integrando equipes jurídica, de compras e financeira para revisar contratos. É crucial não esperar adiamentos e, ainda em 2026, questionar seus fornecedores sobre a limpeza de resíduos tributários para proteger seu capital de giro e evitar paralisações em 2027.